sábado, 16 de outubro de 2010

Sem você

Desencontro marcado

Noite sem lua.
Sem estrela.
Sem chuva.
Sem a sorte
De sua companhia.

Seu sorriso.
Seu abraço.
Seu carinho.

Noite fria.
Vento penetrante.
Ocupa os espaços.
Apaga os passos.
Do viajante.

A mente divagando.
Lenta.
Preguiçosa.
Ah... essa noite,
Eu só queria uma rede,
E sua presença
Deliciosa!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Gente grande

Ama-endurecer

Metade cheio
De sonhos,
Anseios,
Desejos.

Metade vazio
De sentido,
Medo,
Conflito.

Escolhas demais.
Navios e cais.
Estradas.
Destinos.

Avisaram-me:
É preciso crescer!
E ser grande é escolher.
Arrepender.
Viver.
Jamais envelhecer.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Delicadeza em pedaços

Bem me quer

Peço paciência
E cuidado.

Conquista.
Seduz.
Atrai.

E quando me render...
Entregue-me!
Seu coração.
Seu beijo.
Sua mão.
Seu desejo.

Sendo fruta,
Aproveita cada pedaço.
Descasca com carinho.
Perceba a textura.
E o sabor.

Ou acaricia pétala e folha.
Desvia o espinho.
Sente o perfume.
Rega.
Cuida.
Como se fosse flor.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Salto alto

Pára-quedas

Ponte interminável
Que liga minha vida a você.
Tão improvável
Esse encontro acontecer.

Por isso essa vontade
A curiosidade,
A necessidade...
De se lançar.
Enfrentar.

Mergulhar.
Nesse mar
De novidades,
Incertezas.

Sem proteção,
Ou moderação.
Arriscar.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Insustentável leveza

Licença poética

Livre.
Para voar
Escrever
Sentir
Compor
Amar.

Leve.
Como folha ao vento.
Alma de criança.
Espuma do mar.

Viva.
Feito flor na primavera.
Beija-flor a espera,
Batendo as asas
Sem nunca parar.

Pronta.
Para pousar.
E no conforto do ninho,
Descansar.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Banco vazio

Saudade amiga

Porque sinto cada vez mais a sua falta?
Se vivi sem você até outro dia...

Porque quero tanto sua companhia,
Seu sorriso,
Seu abraço,
Seu conselho?

Como foi mesmo que chegamos aqui?
Tão longe...
Tão perto...
Tão dentro.

Me entende como ninguém...
Me ouve como alguém
Que importa
E se importa.

Me ama.
Me quer.
Me tem.

Auxílio.
Amado.
Amigo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mensagem ao passarinho...

Fora do ninho

Parei com você.
Que só me fez bem.
Que viu meu sorriso se abrir
Com brilho no olhar.

Não dá mais pra ficar.
Apaixonar.
Decepcionar.
Coração remendado,
Não consigo colar.

Combinamos assim.
Voa comigo.
Canta pra mim.
E só.

Cantada de um compositor

Serenata

Toca-me
Com tuas mãos
Talentosas,
Carinhosas.

Desliza sobre as curvas
Segura com destreza,
Firmeza.

Acerta cada tom
A melodia
A poesia
E a canção.

Canta-me
Em voz e violão.

A gente nunca esquece

Primeira vez

O primeiro passo
Inesquecível
A primeira palavra
Inesperada

O primeiro beijo
Afobado
A primeira onda
Assustadora

O primeiro amor
Impossível
A primeira decepção
Devastadora

O primeiro erro
Perturbador
A primeira paixão
Inebriante

A vez que foi primeira
Nunca se repetirá.
A primeira vez que foste
Não voltará.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Máscara entregue

Despir-se de mim

Para você
Fiquei nua
Na melodia
Em dois acordes
E poesia.

Com você
Essa nudez
Transparente
Foi inconseqüente.

Além da pele
Do olhar
Do coração
Pulsar.

Penetra
Em minha alma.
Decifra
E acalma.

Sem roupa
Sem culpa
Sem vergonha
Sem pudor
Sem limites
Sem dor.

Resta o carinho
A amizade
O amor.

Era uma vez... comigo

Conto de fadas

Um dia conheci um príncipe
Desse tipo encantado
E encantador mesmo.

Que se achava sapo
Patinho feio sem família
Ogro, corcunda...

Um cavalheiro
Gentil, educado,
Romântico e até bobo.

Sem espelho a quem perguntar
Não via beleza
Em toda sua realeza.

Não entendia
Onde havia tanta formosura?
Tanta candura e doçura?

Mas se o charme era isso mesmo!
Não saber-se um príncipe
Era seu maior gracejo.

Um vira-latas sem dono
Um gatinho risonho
Um menino tristonho
Um homem, afinal...
Verdadeiro sonho.

domingo, 3 de outubro de 2010

Poder sem querer

Impera-dor

Peça tudo que quiser
Que eu o beije
O deseje
O entenda
O respeite.

Peça para me calar
Enganar
Mentir
Fingir
Dissimular.

Peça que não leve a sério
Que viva
Que sinta
Ou não sinta
Que ame
E não se apaixone.

Peça que faltava
Nesse quebra-cabeças
Desordenado.

Tem autorização
Para devastar
Desarmar
Desamar.

Peça tudo
Só não peça
Que esqueça.

Fim da estrada

Sem saída

Um pouco de ilusão
Não faz mal a ninguém...

Que há comigo, afinal?
Pra machucar
Só me falta a navalha!

Ilusão...
O vício desse tolo,
Bobo,
Afoito
Coração!

A estrada acaba
Na próxima curva...
Olha!
Conforma.
Retorna.
Não luta.

sábado, 2 de outubro de 2010

Cinzento e nublado

Lágrimas em chuva

Molha a vida.
Rega a semente.
Sacia a sede.
Limpa o corpo.
Purifica a alma.
Leva a dor.

Transforma.
Transborda.
Transporta.

Enche os poços.
Cola os destroços.
Fortalece os ossos.

Gotas na face.
Pele úmida e quente.
Garganta em nó.

Pinga.
Pinga..
Pinga...

Marcas deixadas

Passo em falso

Certo e errado.
Virtude e pecado.
Duas verdades.
Dois lados.

A quem cabe medir?
Ou julgar?
Saberei decidir?
Vigiar?

Se o inferno é aqui.
O paraíso, onde será?
Se não sei aonde ir, melhor ficar...
Ou mais sensato seria mudar?

Confusão insiste.
Não cessa.
Coração resiste,
Mas tropeça.

Lua cheia de si

Lobisomem doméstico

Lobo sensível
E romântico.
Homem feroz
E poderoso.
Irresistível tentação.

Um monstro?
Um deus?
Um desejo!
Um coração...

Pele quente
Domina os sentidos.
Boca ardente
Sussurra ao ouvido.

Uiva pra lua
Que é toda sua.
E volta pra casa
Porque tudo acaba.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Imperfeito pretérito

Despedida

Poderia
Tudo que é bom
Não acabar?

Um bom filme,
Aquele encontro,
Essa linda canção...

Injusto seria
A cortina
Não se fechar?

A paixão
O desejo
A tensão
E o beijo.

Adeus foi feito
Para se viver
Nem por isso
Fica mais fácil falar.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Artista amador

Pincel armado

Pinto um barco a vela
A lua a espera
Horizonte na tela
Serei-a mais bela
No mar.

Uma fera
Quem me dera
Pudera ela!
Fora da cela
Ficar.

Sincera
Sem terra
Essa guerra
Acabar.

Assim

Grandeza indiferente

Existe uma fortaleza
Uma represa
Essa riqueza!
E tal beleza...
Dentro de mim.

Nariz imponente
Olhar convincente
Lábios carentes
Tranqüilidade aparente
Refletindo em mim.

Ponho as cartas à mesa
Calma e paciente
Comigo é assim!

Certeza.
Serpente.
Sem fim.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Livre

Gaiola

Daqui de dentro
O céu é mais azul
A flor é mais cheirosa
A vida é mais bonita
Lá fora.

Essas grades impossíveis
Cercam os sonhos
Tolhem os desejos
Prendem os pensamentos.

Pássaro é de voar...
Peixe é de nadar...
Gente é de amar!

Cadeados ao chão
Chaves à mão
Liberdade, pois não.

Daqui de fora
Agora
Tudo melhora.