segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ao sabor do vento

Ah! Loucura

O maior risco
Que se corre nessa vida
É o de perder-se
Em si mesmo.

Estranhar
E entranhar
Seus pensamentos...

De tal maneira
Que não se saberá
Onde começa você
E onde isso acabará.

A lucidez completa,
A insensatez absoluta,
A certeza de todas as coisas,
E o vazio mais profundo.

A mais temida
Dentre os desconhecidos.
Supera o medo,
A solidão,
A morte, até!

Essa inacabável
E aparente alegria
Sem medida,
Sem motivo...
Nos deixa tão desconsertados,
E sem conserto.

Que preferem endurecer,
Controlar e desaparecer,
Que se render e enlouquecer.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Auto-Escola

Primeira lição

Me ensina a viver
Com a insuportável
Certeza de ser livre.

Qual o segredo
Para escolher,
Errar, arrepender,
Aprender?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Perfeição inconstante

À beira da praia

Feito onda do mar,
Torna e retorna,
Pensamento a vagar.

Sem urgir
Tampouco esperar,
Desejo sempre vem
Espreitar.

Nem bem sei
O que vim falar.
Se do mar,
Se de mim,
Ou de amar...

Percebi que é assim:
Como aquele que procura
A onda perfeita passar.

Por mais que se conheça o mar...
Jamais irá alcançar.
Resta mergulhar, aproveitar,
Cada onda que chegar.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Aula de direção

Aprendendo a andar

Sigo adiante
Sem ter aonde ir.
Ando em círculos
Só para aprender a caminhar.

Se encontro obstáculo,
Enfrento ou desvio?

Pouco importa o destino.
Desejo mesmo a estrada,
As incertezas e surpresas
No caminho.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Coisa de criança

Brincar de crescer

Subir uma árvore
É uma grande aventura
Ou dá medo de altura?

Cair de bicicleta
É a maior dor do mundo!
A cicatriz se forma
E nem lembra o tombo.

Comer doce fora de hora...
Ah... O desejo mais puro!
A bronca até vale a pena.

Tudo é muito grande,
Muito distante,
Muito difícil,
E tão fácil! E simples...

A gente não pode fazer nada!
Mas pode ser tudo:
Super-herói,
Princesa encantada,
Qualquer animal,
Vegetal ou sideral.

Quando a gente é pequeno
Tudo que se quer é ser grande.
Bobagem maior não poderia haver
De todas aquelas que se pode fazer.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Vítima de amar

Incurável

Não tem jeito!
Fui mordida
Por aquele vampiro
Imortal e sensível
Chamado Romance.

Não há antídoto
Não há volta
Não há estaca
Nem magia...

Que me devolva
A feliz,
Irresponsável,
E leve sensação:

De maltratar corações,
Ignorar emoções,
Viver paixões,
Sem importar a quem.

Agora e para sempre,
Vou ter que suportar
Amar sem ser amada,
Esperar sem saber,
Sobreviver.

E nesse caminho infindável
Quem sabe encontrar
Um outro romântico incontrolável
Para comigo dividir
O doce veneno de saber amar.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Fantasia ao avesso

Despertar da princesa

Tantas noites sonhei com você:
Num cavalo branco,
Espada em riste!
A salvar-me das decepções
Dessa vida desencantada.

Imagina que me faltava ver
Que a torre se ergueu
Para você, príncipe...

E um dragão feio e tolo
Tem guardada a chave
De um triste e aflito coração.

O que faria para salvá-lo
Desse feitiço amaldiçoado?
Como venceria todas as grades,
Cercas e limites que impuseram-lhe?

Sob efeito de um doce beijo
Enfim, então, acordaríamos?
Para a eterna e estranha
Felicidade.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Peço quase nada

Em meu favor

Brisa fresca,
Lambe-me o rosto.
Sol da manhã,
Beija-me o corpo.
Chuva fina,
Molha-me a alma.
Arco-íris,
Encanta-me o coração.

Atende meu pedido?
É que eu necessito esse afago,
Preciso mesmo desse carinho.
Queria tanto essa companhia.
Estava aqui... sozinho.

Angústia pura

Fingidor

Tem dias que são cinza
Não importa o sol
Ou a lua.
As músicas são tristes.
As rosas, só espinhos.

Tem dias que
É melhor não acordar,
Nem enfrentar,
Ou se mostrar.

E não há nada que o faça
Arco-íris pintar,
Criança sorrir,
Passarinho cantar.

Cego de dor,
Sofrimento é senhor.
Só lhe resta esperar...
Passar.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Chuvas que verão

Nuvens de algodão

Gotejam
Pequenos e sinceros
Inspiração
Em singelos e modestos
Pingos.

Aos poucos,
Sem medir
Ou planejar.

Bate à porta
Espera pouco
E já foge
Sem avisar.

Quase não a vejo
Por aqui
Nos últimos dias.
Por que será?

Amor,
Esperança,
Fé...
Razão!

Se pinga
Ou respinga
Em mim,
Aproveito seu frescor
Espreguiço-me
E me deixo molhar.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Tempo a perder

Vida a seguir

Inevitavelmente
O tempo e a distância
Afastam as pessoas,
Esfriam relações,
Curam feridas,
Murcham amores.

Sem perceber
Novas marcas se formam,
Cicatrizes se fecham,
Devaneios se perdem.

Se notar e anotar,
Verão surgir novos sonhos,
Superar velhos medos,
Alcançar outras metas.

Tempo amigo,
Distância querida,
Levam-me os anéis,
Resta-me a vida.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Irromper muralhas

Resistível

Esperança, não vá!
Espera mais um pouco...
Recupera o fôlego,
A força, a cor.

Me convence
Do impossível,
Me aponta
O invisível.

Só você é capaz
De mover montanhas,
Comover corações,
Remover dores.

Fica por aqui
Por perto,
Enquanto o medo não vem...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Acima de todas as coisas

Primeiro amor

Só o Amor Divino
É pleno, altruísta,
Digno de admiração e louvor.
Nada mais importa
A quem crê na única verdade.

Só a Palavra que cura e liberta.
A Paz que aquieta e restaura.
O Espírito que aviva e fortalece.

Aceita, Senhor, minha gratidão
Em verso e oração.
Acalenta meu coração,
Que só em Ti descansa.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Estrela Guia

Luz de Deus

Época de renovar,
Renascer.
Perdoar velhos erros,
Prometer novas metas.

Tempo de sonhar,
Amar,
Abraçar...

Mister é esquecer
E recomeçar!
Sempre e incansável,
Acreditar e esperar.

Que o melhor
Virá.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Pedaço em flor

Despropósito

Escrevo
Sem leitor.
Amo
Sem pudor.

Atrevo-me
Com cuidado.
Inicio
E acabo.

Não interessa
A quem
Ou o porquê...
Importa mesmo
É viver!

Sem saber
Sem entender
Sem repreender
Sem interromper

Apenas,
E nada mais,
Eu, você.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sem objeto, nem objetivo

Intransitivo

Regala
E resgata.
Estima
E ensina.

Verbo,
Ordena,
Pede
E deseja.

Não vá...

Seja,
Esteja,
Veja!
Almeja...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Como céu e mar se encontrar...

Imensidão

O amor não tem explicação,
Nem forma ou tamanho,
Certo, errado,
Não tem definição.

É sentimento
E sensação,
Movimento,
Inspiração.

Não tem palavra
Que se acomode...
Não há meios
De produzir
Nada igual
Nem similar.

É sonhar
Acordado
E desejar
Sempre e tanto...
Impossível mensurar.

Poeta tolo
Insiste em declarar
Tudo que pode
E nem sabe
Para alcançar...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Jogo de Palavras

Rimas fáceis

Em verso,
Inverso
Reverso
Converso.

Meu avesso
Expresso
Confesso
Atravesso.

A poesia...
Arrepia
Alegria
Fantasia.

Permita-me escolher,
Esconder, vir a ser,
Ou não.
Sem censura
Ou limitação.

Deixa-se levar,
Sem entender.
Palavras ao vento
Não precisa pegar...
Só sentir,
Aspirar e inspirar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Melhor assim

Em fim

Prefiro ser a ter,
Viver a sofrer,
Entender a perder,
Crer.

Esperar bem mais que cobrar.
Amar ainda que não seja amada!
Libertar e voar,
Junto ou separada...

Preterir...
Pretender!
Prevenir e
Precaver.

Cuidar de si e de ti
Saber o que quer
E o que não se pode querer,
E acima de tudo isso,
Escolher.

Bem, mal,
Ambos ou
Pelo contrário,
Sem nunca chegar
Ao final.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Presente...

Aos noivos

Amor não tem regras
Rédeas, limites,
Grades, símbolos.

Para amar
É preciso ser livre...
Querer bem,
Carinho e cuidado,
E ao seu lado,
Alguém.

Sem compromisso
Ou acordo...
Só amor,
Nada além.

O sentimento
Correspondido
Já faz a união,
Desnecessária convenção.

Aliança definitiva
É o enlace
Dos corações.
Alma leve
E espírito breve.