sexta-feira, 29 de abril de 2011

Palavras não explicam

Atrevimento próprio

Esse pequeno pássaro
Livre pelos ares...
Pena, cor e movimento.

Viaja alto,
Voa para longe.
Visita o ninho,
Vez em quando...
Mas fica pouco.

O que te anseia
É a liberdade!
A novidade!
A brevidade!

O que te espera
É o mundo...
Em beleza e tristeza,
Tudo que couber na bagagem.

Pássaro meu,
Asas abertas,
Vá onde quiser e puder!
Mas atende quando lhe chamar:
Pensamento.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Uma pedra, afinal

Intensa ternura
Um diamante delicado,
Brilhante e precioso...
Das pedras a mais dura.
Tanto encanta quanto fura.

A fragilidade aparente
É um artifício para seduzir.
Sua força escondida
Traz o verdadeiro valor.

Não se engane
Com sua beleza e transparência.
Aparências assim nos arrebatam,
Mas iludem... e arrasam.

sábado, 16 de abril de 2011

Ame-a ou deixe-o

Colonizador da imaginação

Faça-me o favor:
Saia do meu pensamento.
Peço com gentileza e educação:
Pegue todo seu charme,
Sua história, seu encanto
E vá embora. Agora.

Tenho pouco tempo
E não sei lidar com invasão.
Além do mais,
Não posso deixar ficar.

Logo descobriria um lugar
Ainda melhor,
Com vista para o mar,
Cheiro de chuva
E noite de lua...

Meu bem, acredite,
Iria querer morar,
Explorar, descobrir,
Mas já aviso:
Não vou permitir.
Tranquei a porta
Do meu coração.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Desvirtuar

Chat-ear

Rede de afetos,
Laços forjados,
Fluidez virtual:
De olhares
E contatos irreais.

Presa numa teia
Mal construída
E elaborada ao acaso.
Vítima de arriscar-se
Numa exposição sem medida.

Ah... a tal da modernidade!
Que aproxima mundos,
Constrói ferramentas,
Destrói limites.

E de tudo...
Leva e traz
Você.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Inspiração líquida

Ao encontro de si

O que fazer
Com essa enxurrada
Que veio afogar-me?

Esse descontrole
Tão sedutor!
Que me inunda e derrama
Em idéias, sensações,
Palavras, figuras...

Para que lado guiar
Tão poderosas águas?
Represar ou deixar jorrar?
Decidir, rimar, reinventar.

terça-feira, 15 de março de 2011

Em órbita

Satélite meu
Tenho a lua como companhia.
Lado a lado, segue meu caminho.
Ilumina a estrada sob meus pés.
Acende os desejos, relembra momentos.

Impõe sua presença,
Delata minha insignificância,
E mistura um pouco de romance
Com saudosa melancolia.

Fria, distante, alva e grandiosa,
Tenta aquecer essa noite,
Para que as desilusões pareçam menores
E os amores mais importantes.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Não tem segredo

Decifra-me

Eu o desafio...
Leia o caos em meu rosto,
Interprete minha alma,
Explique meus sentimentos.

Em troca,
Daria-te a vida:
Minha lealdade infinita.

No entanto, peço apenas
Que suporte nada entender
E aceita-me.
Recorrendo ao velho clichê:
Respeita-me.

E me deixa ser o que não sei.

Se não for demais, me ame.
Posso entregar-me inteira:
Segredos, sorrisos e beijos.
Amar você.
E se preciso for,
Esquecer.

sábado, 12 de março de 2011

O que há

Aqui e ali

Estou a procura
De não saber.
A perigo
De um dia encontrar.
A deriva
Para não afogar
Mágoas e lembranças.

Nesse pé que está
Que mais pode acontecer
E surpreender?

Tudo ou nada,
Mas algum.
Apareça e aconteça.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ao sabor do vento

Ah! Loucura

O maior risco
Que se corre nessa vida
É o de perder-se
Em si mesmo.

Estranhar
E entranhar
Seus pensamentos...

De tal maneira
Que não se saberá
Onde começa você
E onde isso acabará.

A lucidez completa,
A insensatez absoluta,
A certeza de todas as coisas,
E o vazio mais profundo.

A mais temida
Dentre os desconhecidos.
Supera o medo,
A solidão,
A morte, até!

Essa inacabável
E aparente alegria
Sem medida,
Sem motivo...
Nos deixa tão desconsertados,
E sem conserto.

Que preferem endurecer,
Controlar e desaparecer,
Que se render e enlouquecer.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Auto-Escola

Primeira lição

Me ensina a viver
Com a insuportável
Certeza de ser livre.

Qual o segredo
Para escolher,
Errar, arrepender,
Aprender?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Perfeição inconstante

À beira da praia

Feito onda do mar,
Torna e retorna,
Pensamento a vagar.

Sem urgir
Tampouco esperar,
Desejo sempre vem
Espreitar.

Nem bem sei
O que vim falar.
Se do mar,
Se de mim,
Ou de amar...

Percebi que é assim:
Como aquele que procura
A onda perfeita passar.

Por mais que se conheça o mar...
Jamais irá alcançar.
Resta mergulhar, aproveitar,
Cada onda que chegar.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Aula de direção

Aprendendo a andar

Sigo adiante
Sem ter aonde ir.
Ando em círculos
Só para aprender a caminhar.

Se encontro obstáculo,
Enfrento ou desvio?

Pouco importa o destino.
Desejo mesmo a estrada,
As incertezas e surpresas
No caminho.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Coisa de criança

Brincar de crescer

Subir uma árvore
É uma grande aventura
Ou dá medo de altura?

Cair de bicicleta
É a maior dor do mundo!
A cicatriz se forma
E nem lembra o tombo.

Comer doce fora de hora...
Ah... O desejo mais puro!
A bronca até vale a pena.

Tudo é muito grande,
Muito distante,
Muito difícil,
E tão fácil! E simples...

A gente não pode fazer nada!
Mas pode ser tudo:
Super-herói,
Princesa encantada,
Qualquer animal,
Vegetal ou sideral.

Quando a gente é pequeno
Tudo que se quer é ser grande.
Bobagem maior não poderia haver
De todas aquelas que se pode fazer.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Vítima de amar

Incurável

Não tem jeito!
Fui mordida
Por aquele vampiro
Imortal e sensível
Chamado Romance.

Não há antídoto
Não há volta
Não há estaca
Nem magia...

Que me devolva
A feliz,
Irresponsável,
E leve sensação:

De maltratar corações,
Ignorar emoções,
Viver paixões,
Sem importar a quem.

Agora e para sempre,
Vou ter que suportar
Amar sem ser amada,
Esperar sem saber,
Sobreviver.

E nesse caminho infindável
Quem sabe encontrar
Um outro romântico incontrolável
Para comigo dividir
O doce veneno de saber amar.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Fantasia ao avesso

Despertar da princesa

Tantas noites sonhei com você:
Num cavalo branco,
Espada em riste!
A salvar-me das decepções
Dessa vida desencantada.

Imagina que me faltava ver
Que a torre se ergueu
Para você, príncipe...

E um dragão feio e tolo
Tem guardada a chave
De um triste e aflito coração.

O que faria para salvá-lo
Desse feitiço amaldiçoado?
Como venceria todas as grades,
Cercas e limites que impuseram-lhe?

Sob efeito de um doce beijo
Enfim, então, acordaríamos?
Para a eterna e estranha
Felicidade.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Peço quase nada

Em meu favor

Brisa fresca,
Lambe-me o rosto.
Sol da manhã,
Beija-me o corpo.
Chuva fina,
Molha-me a alma.
Arco-íris,
Encanta-me o coração.

Atende meu pedido?
É que eu necessito esse afago,
Preciso mesmo desse carinho.
Queria tanto essa companhia.
Estava aqui... sozinho.

Angústia pura

Fingidor

Tem dias que são cinza
Não importa o sol
Ou a lua.
As músicas são tristes.
As rosas, só espinhos.

Tem dias que
É melhor não acordar,
Nem enfrentar,
Ou se mostrar.

E não há nada que o faça
Arco-íris pintar,
Criança sorrir,
Passarinho cantar.

Cego de dor,
Sofrimento é senhor.
Só lhe resta esperar...
Passar.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Chuvas que verão

Nuvens de algodão

Gotejam
Pequenos e sinceros
Inspiração
Em singelos e modestos
Pingos.

Aos poucos,
Sem medir
Ou planejar.

Bate à porta
Espera pouco
E já foge
Sem avisar.

Quase não a vejo
Por aqui
Nos últimos dias.
Por que será?

Amor,
Esperança,
Fé...
Razão!

Se pinga
Ou respinga
Em mim,
Aproveito seu frescor
Espreguiço-me
E me deixo molhar.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Tempo a perder

Vida a seguir

Inevitavelmente
O tempo e a distância
Afastam as pessoas,
Esfriam relações,
Curam feridas,
Murcham amores.

Sem perceber
Novas marcas se formam,
Cicatrizes se fecham,
Devaneios se perdem.

Se notar e anotar,
Verão surgir novos sonhos,
Superar velhos medos,
Alcançar outras metas.

Tempo amigo,
Distância querida,
Levam-me os anéis,
Resta-me a vida.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Irromper muralhas

Resistível

Esperança, não vá!
Espera mais um pouco...
Recupera o fôlego,
A força, a cor.

Me convence
Do impossível,
Me aponta
O invisível.

Só você é capaz
De mover montanhas,
Comover corações,
Remover dores.

Fica por aqui
Por perto,
Enquanto o medo não vem...