segunda-feira, 30 de maio de 2011

Son-h-o

Sem dormir

Quem sabe sonhar
Seja apenas um exercício
De ilusão e imaginação?

Quem sabe sonhar
Poderia até ver
Um mundo melhor
De possibilidades...

Quem sabe sonhar,
Afinal?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ilumina ação

Fresta aberta


Se a verdade dói
O que a mentira não causa?
E se mais vale um acaso
Que duas promessas vãs...
Como escolher?

Viver não é fácil
E isso não é novidade.
Mas sentir é ainda mais difícil.
Esconder, aprisionar, endurecer...
Sempre o caminho mais curto
Para não sofrer.

Sei não...
Chorar pode fazer extravasar,
Desmoronar o muro de medos,
Limites e feridas mal curadas.
E criar uma porta ou janela:
Para luz entrar.

E transformar cores pastéis
Em cintilantes, vivas e alegres!
O poder do brilho:
Do olhar, do sorriso, dos sentidos,
Quero perceber de novo.

E correr os riscos todos.
De encantar, apaixonar, entregar,
Decepcionar, frustrar, magoar,
Ou não.
Como saber, afinal?
Só conhecer.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Enfim só

Desencontro

Quero e desejo
Seu anseio.
Mas de mim
Só necessita o beijo...

Imagino um futuro
E um presente!
Mas a ti,
Basta esse instante.

Que fazer
Com tamanha diferença?
Desistir, aproveitar,
Permirtir, sei lá...

Sem resposta,
Melhor seguir
Sem nada ou ninguém
Esperar.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Sem trava

Comanda o salão

Em suas mãos quero sentir
Meu corpo leve, solto...
Balançar suave.

Sobe, desce,
Gira, arremessa,
Encontra e desencontra.

Qualquer que seja
O tom, o som, a marcação
Domina, indica a condução.

Sem sobressalto,
Devagar... que é para não se cansar,
Só dançar e dançar e dançar...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Take a chance

First time

I just don't know
How to tell you my fellings
And thoughts...

The heart still beating
Like these beautiful waves
Keep trying... falling...
Not in love, please.

But something is happening:
The sky is so blue,
And the weather is so great!

Maybe it was the first time
I saw gentle and green eyes
Mixed with soft hands
And incredible kiss...
As a real man must be.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Palavras não explicam

Atrevimento próprio

Esse pequeno pássaro
Livre pelos ares...
Pena, cor e movimento.

Viaja alto,
Voa para longe.
Visita o ninho,
Vez em quando...
Mas fica pouco.

O que te anseia
É a liberdade!
A novidade!
A brevidade!

O que te espera
É o mundo...
Em beleza e tristeza,
Tudo que couber na bagagem.

Pássaro meu,
Asas abertas,
Vá onde quiser e puder!
Mas atende quando lhe chamar:
Pensamento.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Uma pedra, afinal

Intensa ternura
Um diamante delicado,
Brilhante e precioso...
Das pedras a mais dura.
Tanto encanta quanto fura.

A fragilidade aparente
É um artifício para seduzir.
Sua força escondida
Traz o verdadeiro valor.

Não se engane
Com sua beleza e transparência.
Aparências assim nos arrebatam,
Mas iludem... e arrasam.

sábado, 16 de abril de 2011

Ame-a ou deixe-o

Colonizador da imaginação

Faça-me o favor:
Saia do meu pensamento.
Peço com gentileza e educação:
Pegue todo seu charme,
Sua história, seu encanto
E vá embora. Agora.

Tenho pouco tempo
E não sei lidar com invasão.
Além do mais,
Não posso deixar ficar.

Logo descobriria um lugar
Ainda melhor,
Com vista para o mar,
Cheiro de chuva
E noite de lua...

Meu bem, acredite,
Iria querer morar,
Explorar, descobrir,
Mas já aviso:
Não vou permitir.
Tranquei a porta
Do meu coração.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Desvirtuar

Chat-ear

Rede de afetos,
Laços forjados,
Fluidez virtual:
De olhares
E contatos irreais.

Presa numa teia
Mal construída
E elaborada ao acaso.
Vítima de arriscar-se
Numa exposição sem medida.

Ah... a tal da modernidade!
Que aproxima mundos,
Constrói ferramentas,
Destrói limites.

E de tudo...
Leva e traz
Você.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Inspiração líquida

Ao encontro de si

O que fazer
Com essa enxurrada
Que veio afogar-me?

Esse descontrole
Tão sedutor!
Que me inunda e derrama
Em idéias, sensações,
Palavras, figuras...

Para que lado guiar
Tão poderosas águas?
Represar ou deixar jorrar?
Decidir, rimar, reinventar.

terça-feira, 15 de março de 2011

Em órbita

Satélite meu
Tenho a lua como companhia.
Lado a lado, segue meu caminho.
Ilumina a estrada sob meus pés.
Acende os desejos, relembra momentos.

Impõe sua presença,
Delata minha insignificância,
E mistura um pouco de romance
Com saudosa melancolia.

Fria, distante, alva e grandiosa,
Tenta aquecer essa noite,
Para que as desilusões pareçam menores
E os amores mais importantes.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Não tem segredo

Decifra-me

Eu o desafio...
Leia o caos em meu rosto,
Interprete minha alma,
Explique meus sentimentos.

Em troca,
Daria-te a vida:
Minha lealdade infinita.

No entanto, peço apenas
Que suporte nada entender
E aceita-me.
Recorrendo ao velho clichê:
Respeita-me.

E me deixa ser o que não sei.

Se não for demais, me ame.
Posso entregar-me inteira:
Segredos, sorrisos e beijos.
Amar você.
E se preciso for,
Esquecer.

sábado, 12 de março de 2011

O que há

Aqui e ali

Estou a procura
De não saber.
A perigo
De um dia encontrar.
A deriva
Para não afogar
Mágoas e lembranças.

Nesse pé que está
Que mais pode acontecer
E surpreender?

Tudo ou nada,
Mas algum.
Apareça e aconteça.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ao sabor do vento

Ah! Loucura

O maior risco
Que se corre nessa vida
É o de perder-se
Em si mesmo.

Estranhar
E entranhar
Seus pensamentos...

De tal maneira
Que não se saberá
Onde começa você
E onde isso acabará.

A lucidez completa,
A insensatez absoluta,
A certeza de todas as coisas,
E o vazio mais profundo.

A mais temida
Dentre os desconhecidos.
Supera o medo,
A solidão,
A morte, até!

Essa inacabável
E aparente alegria
Sem medida,
Sem motivo...
Nos deixa tão desconsertados,
E sem conserto.

Que preferem endurecer,
Controlar e desaparecer,
Que se render e enlouquecer.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Auto-Escola

Primeira lição

Me ensina a viver
Com a insuportável
Certeza de ser livre.

Qual o segredo
Para escolher,
Errar, arrepender,
Aprender?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Perfeição inconstante

À beira da praia

Feito onda do mar,
Torna e retorna,
Pensamento a vagar.

Sem urgir
Tampouco esperar,
Desejo sempre vem
Espreitar.

Nem bem sei
O que vim falar.
Se do mar,
Se de mim,
Ou de amar...

Percebi que é assim:
Como aquele que procura
A onda perfeita passar.

Por mais que se conheça o mar...
Jamais irá alcançar.
Resta mergulhar, aproveitar,
Cada onda que chegar.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Aula de direção

Aprendendo a andar

Sigo adiante
Sem ter aonde ir.
Ando em círculos
Só para aprender a caminhar.

Se encontro obstáculo,
Enfrento ou desvio?

Pouco importa o destino.
Desejo mesmo a estrada,
As incertezas e surpresas
No caminho.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Coisa de criança

Brincar de crescer

Subir uma árvore
É uma grande aventura
Ou dá medo de altura?

Cair de bicicleta
É a maior dor do mundo!
A cicatriz se forma
E nem lembra o tombo.

Comer doce fora de hora...
Ah... O desejo mais puro!
A bronca até vale a pena.

Tudo é muito grande,
Muito distante,
Muito difícil,
E tão fácil! E simples...

A gente não pode fazer nada!
Mas pode ser tudo:
Super-herói,
Princesa encantada,
Qualquer animal,
Vegetal ou sideral.

Quando a gente é pequeno
Tudo que se quer é ser grande.
Bobagem maior não poderia haver
De todas aquelas que se pode fazer.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Vítima de amar

Incurável

Não tem jeito!
Fui mordida
Por aquele vampiro
Imortal e sensível
Chamado Romance.

Não há antídoto
Não há volta
Não há estaca
Nem magia...

Que me devolva
A feliz,
Irresponsável,
E leve sensação:

De maltratar corações,
Ignorar emoções,
Viver paixões,
Sem importar a quem.

Agora e para sempre,
Vou ter que suportar
Amar sem ser amada,
Esperar sem saber,
Sobreviver.

E nesse caminho infindável
Quem sabe encontrar
Um outro romântico incontrolável
Para comigo dividir
O doce veneno de saber amar.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Fantasia ao avesso

Despertar da princesa

Tantas noites sonhei com você:
Num cavalo branco,
Espada em riste!
A salvar-me das decepções
Dessa vida desencantada.

Imagina que me faltava ver
Que a torre se ergueu
Para você, príncipe...

E um dragão feio e tolo
Tem guardada a chave
De um triste e aflito coração.

O que faria para salvá-lo
Desse feitiço amaldiçoado?
Como venceria todas as grades,
Cercas e limites que impuseram-lhe?

Sob efeito de um doce beijo
Enfim, então, acordaríamos?
Para a eterna e estranha
Felicidade.